
29/07/2010 - 18h50
Seminário discute importância social de proteger lavouras
Impedir que fenômenos climáticos destruam as plantações é impossível, mas prevenir que essas perdas prejudiquem toda a sociedade é viável com a utilização do seguro rural. Para discutir o tema, em torno de 170 participantes e especialistas de diversas instituições estão reunidos nesta quinta-feira, 29 de julho, na Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul para o seminário "Risco e Gestão do Seguro Rural".
De acordo com o professor do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp) e coordenador do evento, Antônio Buainain, que pesquisa o setor rural no Brasil, o País deve se tornar nos próximos anos o grande fornecedor de alimentos e matéria prima para o mundo. Mesmo assim, a maioria dos produtores rurais ainda precisa ter a consciência do que isso representa e da importância de sua categoria para o contexto geral da sociedade, do comércio e da indústria.
"Os problemas com a produção no campo não afetam apenas quem produz, mas sim toda a economia e a sociedade paga por isso. O produtor precisa de estabilidade, mas o clima não pode ser controlado, então é aí que aparece a necessidade do seguro", esclarece Buainain. Ele sustenta que segurar as lavouras pode ser mais complexo, mas não menos importante. A grande diferença aqui está no fato de que as seguradoras de automóveis, por exemplo, recebem sinistros isolados, casos específicos, enquanto no meio rural, os prejuízos vem para a maioria, de uma só vez, como é o caso das catástrofes climáticas.
Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) mostram que a utilização do seguro-rural atingiu seu auge em 2009, quando foram feitas mais de 72 mil apólices para quase 60 mil produtores. Neste ano, o clima beneficiou a agricultura e do total de seguros, apenas pouco mais de 14 mil tiveram sinistro. A Secretária de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo de Mato Grosso do Sul (Seprotur), Tereza Cristina, esteve presente e palestrou sobre as estratégias da agricultura para o Estado. "A utilização do seguro rural precisa ainda ser mais difundida entre os produtores. Essa vai ser a redenção da nossa agricultura", destaca.
O presidente da Famasul, Eduardo Riedel foi um dos palestrantes e apresentou alguns dados sobre as principais culturas do Estado, sendo que a soja ocupa 4,5% do território produtivo. Riedel apresentou um panorama para a utilização do seguro rural em MS, que em 2009 segurou 18% da área estadual. "O seguro para o campo é uma ferramenta importante para o produtor rural e também para a sociedade. Nosso trabalho agora é lutar para que haja uma subvenção por parte do Governo Estadual para o seguro", aponta.
Representando a Escola Nacional de Seguros (Funenseg), o professor Bruno Kelly falou da grande dificuldade que é chegar a um sistema de seguros eficaz, que se baseie em acontecimentos incertos, previdência e mutualismo. "Quem paga os sinistros não são as seguradoras, mas sim o segurados, que formam uma espécie de associação. A função da gerenciadora é apenas de gerir os valores", explica.
O evento apresenta também outras questões referentes ao seguro rural como sua operacionalização, o papel das cooperativas nesse assunto, a comercialização de apólices e as visões de produtores em relação ao assunto. O seminário é realizado pela Famasul em parceria com a Escola Nacional de Seguros (Funenseg), Universidade de Campinas (Unicamp), Embrapa Agropecuária Oeste e Sindicato dos Corretores de Seguros (Sincor-MS).
Fonte: Federação de Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso do Sul (Famasul)